Ao fim da noite, já em minha cama, parei pra pensar em como cheguei até aqui. Em como eu estava feliz, ainda que a sensação de inadequação não me deixasse só. Agradeci a Deus pela grande família que tenho _ avó, mãe, pai, irmãs, primas, tios, sobrinhos, amigos de perto e de longe_ e pedi o dom de ser uma aranha tecedora, capaz de entrelaçar minha vida àqueles cujos caminhos se esbarram e cruzam aos meus, pois a surpresa maior foi enfim perceber que formamos uma grande teia; uma teia onde é importante fazer o caminho de ida, porque faz-se necessário adiantar-se, ganhar novos contornos, percorrer roteiros de 'desidentidades', fugir do óbvio, descobrir desenhos próprios e distintos; mas há uma hora em que retroceder significa buscar-se também, e ao fazer o caminho de volta, percebemos que esse itinerário regresso não é contraditório. Ao contrário, nos dá direção e torna-se fundamental de tempos em tempos. Para nos confortar, para reconhecermos a nós mesmos nesse emaranhado de curvas que a história dá, para mais uma vez experimentarmos o que aquece e faz sentido, ou simplesmente nos sentirmos em casa...
__ Fabíola Simões
__ Do texto "A teia que nos sustenta"

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