Eu me dizia o tempo todo que era amor, aquilo tudo que eu sentia por ele, aquela onda desgovernada de afeto e medo, muito medo. Eu nunca soube bem explicar o porquê de tanto horror num sentimento tão bonito, mas tudo foi descoberto quando eu entendi a intensidade. A intensidade era o sentimento que me empurrava pra frente, quanto mais eu dizia não, mais eu avassaladoramente queria sim, porque você sabe, toda vez que se nega um sentimento, ele escorre até pelas artérias e de repente qualquer um consegue ver, você vira uma compota transparente cheia de um doce desconhecido, com uma cor assustadora. Eu jurava que era por ele, que o mundo inteiro só funcionava porque quando eu contava um causo ele gargalhava e isso dava força pras engrenagens universais funcionarem. Ele ria tão bonito. Não que ele tenha morrido, mas eu encontrei o amor e simplesmente não tinha a cara dele, tinha a minha! Todos os dias eu girava as minhas engrenagens e fazia o meu universo trabalhar e quando eu me olhei no espelho, eu finalmente descobri, eu sou o amor e o amor é o que vem de mim, o que vem dos outros é sempre regra, mas o que vem da gente é exceção.
-nb-

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